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Conselho de Ética monta estratégia para superar manobras de Cunha

Prazo para conclusão do processo que pode cassar o presidente da Câmara termina hoje, mas relatório ainda não foi finalizado. Presidente do Conselho diz estar lutando contra manobras de Cunha e contra o tempo

25 de abril de 2016 às 07:41

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Atrás de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, abriu-se uma faixa que pedia: “Fora, Cunha”. Naquela ocasião, um domingo, 17, a Casa autorizou a abertura do impeachment de Dilma Rousseff (PT), mas hoje seu Conselho de Ética extrapola prazo para conclusão do processo que pode cassar Cunha e luta para continuar a investigação sem data para o fim.

“Nós não precisamos encerrar o processo, vamos com isso até o final”, disse o presidente do Conselho José Carlos Araújo (PSD-BA), que ignora o dia limite estabelecido e estipula que o relatório deve ser entregue entre os dias 15 e 20 de maio. O atraso, segundo ele, é fruto das manobras de Cunha.

De 13 de outubro, dia do início da ação contra ele, para cá, vários integrantes da Comissão – incluindo o primeiro relator, Fausto Pinato (PP-SP) –, já foram trocados. Ações para retardar andamento do processo devem continuar até reta final, aposta Araújo, que disse que a estratégia é não questionar o que cause menos danos para não adiar ainda mais.

Semana passada, o vice da Câmara Waldir Maranhão (PP-MA) limitou a investigação do Conselho. Ele quer que a única acusação contra Cunha seja a “mentira” sobre não possuir contas na Suíça.

Com depoimentos marcados com dois operadores do Petrolão – Fernando Baiano, que fez delação premiada citando Cunha, e João Henriques, preso em Curitiba –, o Conselho não deve seguir a ordem.

Araújo disse que deve pagar do próprio bolso a passagem de Baiano para Brasília, já que o dinheiro não foi liberado pela Mesa da Câmara. “Ele (Cunha) não quer comprar porque o Baiano não teria nada a contribuir. O acusado define que testemunha tem que falar?”.

A demora do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para enviar documentos solicitados pelo relator Marcos Rogério (DEM-RO) também estaria atrasando processo. A solicitação foi feita no dia 30 de março, mas só na sexta-feira, 22, o STF encaminhou informações, e a PGR ainda não o fez.

Além disso, nesta última semana de abril deve começar a funcionar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Casa, que irá analisar recursos de Cunha e de aliados que pedem anulação de todo o trabalho feito até agora pelo Conselho de Ética.

Acordos

A lentidão também seria decorrente de acordos de Cunha com deputados, que teriam prometido perdão ou abrandamento da pena contra ele em troca de celeridade no impeachment de Dilma Rousseff.

Raimundo Gomes de Matos (PSDB) nega a existência de pacto e diz que sua sigla é favorável à saída de Cunha. Já Chico Lopes (Psol) acredita que acordo se estende às “elites do País”.