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Ceará monta time feminino profissional pela 1ª vez na história e se adequa a exigência da Conmebol

29 de abril de 2018 às 10:55

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Apesar de ser uma equipe tradicional do País, o Ceará passou seis anos longe da Primeira Divisão. Atualmente, o primeiro objetivo da diretoria do clube é de fazer uma campanha positiva para, no mínimo, se manter no mesmo patamar ano que vem. Resolvido o "problema rebaixamento", a equipe focará na conquista de uma vaga em alguma competição continental, a mais palpável: a Copa Sul-Americana.

Para chegar ao segundo maior torneio de clubes da América do Sul, o Vovô tem de car entre os 13 primeiros ou, caso algum time brasileiro vença a Libertadores, terminar na 14ª colocação, posição do Fluminense no ano passado. Vale lembrar que a última participação do Alvinegro na competição foi em 2011, quando foi eliminado pelo São Paulo.

Porém, para garantir a vaga, o clube tem de enquadrar-se à nova regulamentação da Conmebol, que diz respeito à necessidade de manter times femininos em atividade. A exigência é válida a partir da temporada de 2019 e foi estabelecida há mais de um ano e meio.

Apenas nove dos 20 clubes da Série A deste ano têm equipes femininas: América-MG, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Internacional, Santos, Sport, Vitória e, agora, o Ceará.

Em alguns casos, o processo encontra-se pela metade. A grande maioria, porém, ainda diz estar em fase de estudos sobre o modelo a ser aplicado. A Conmebol permitirá as parcerias, mas não abrirá exceções em seus torneios a quem não contar com equipes femininas tanto na base quanto no adulto.

O Ceará, pensando no torneio continental, adotou a medida. O Alvinegro de Porangabuçu está montando uma equipe para participar do Campeonato Cearense feminino adulto, competição que será disputada entre agosto e novembro deste ano. Para isso, fechou parceria com a vitoriosa Associação Menina Olímpica. 

Segundo a diretoria, será investido um valor de R$ 280 mil na criação da equipe feminina. Com o planejamento iniciado em fevereiro deste ano, 22 jogadoras, cearenses e de outros estados, foram contratadas para vestirem a camisa do Ceará. As atletas terão contrato de cinco meses e a comissão técnica por tempo de prestação de serviço. 

"O futebol feminino é um dos critérios da Fifa para participar das competições. A CBF incluiu essas condições para participar das séries A e B. Assim sendo, doravante, temos que nos estruturar gradativamente para participar do campeonato estadual e regional", disse Raimundo Pinheiro, vice-presidente do Ceará.

Saída vista com desconança

Quem batalha há tempos pelo desenvolvimento da modalidade no Brasil torce o nariz para essa espécie de ajuda à força, por mais que a medida, na prática, traga perspectiva de melhoras. “Infelizmente, teve de chegar a esse ponto. Se a Conmebol não exigisse, os clubes não se importariam muito”, lamenta Gabi Zanotti, meia do Corinthians.

“O resultado da obrigatoriedade será positivo. Por serem times grandes, não vão querer car tomando goleadas. Assim, haverá investimento”, disse Emily Lima, ex-técnica da seleção brasileira e atualmente comandando o Santos.

Rejeição vem do retorno nanceiro

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Investir no futebol feminino custa pouco em comparação com as cifras astronômicas que envolvem os homens. Pelo levantamento do Estado de S. Paulo, com orçamento anual de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões é possível montar um time competitivo. A rejeição dos dirigentes, porém, está no retorno nanceiro. Basicamente, a modalidade é decitária, mesmo em clubes já estabelecidos no cenário nacional.

Para se ter uma ideia, a equipe campeã brasileira da Série A1 (elite nacional) recebe da CBF algo em torno de R$ 120 mil de prêmio. Entre os homens, o título rendeu mais de R$ 18 milhões ao Corinthians na última temporada.

No caso dos times femininos, não há pagamento por direitos televisivos. As fontes de receita acabam sendo limitadas a patrocínio de camisa e, em raríssimos casos, direitos econômicos. Santos, Ferroviária-SP e Iranduba-AM são exemplos de equipes que assinam a Carteira de Trabalho das jogadoras.

Por outro lado, o próprio Corinthians, que acaba de abrir mão da parceria com o Audax, de Osasco (SP), para investir em um time próprio, ainda registra as suas atletas com vínculos não prossionais, conforme é possível vericar pelo BID (Boletim Informativo Diário) da CBF.

De acordo com a diretora Cristiane Gambaré, isto acontece porque o projeto do futebol feminino corintiano é bancado via Lei de Incentivo ao Esporte, que proíbe o pagamento ao esporte prossional. Ou seja, na prática, todas as jogadoras do elenco são amadoras.

“O Corinthians contratou algumas jogadoras e já as perdeu antes mesmo de treinar ou jogar. Perdeu porque não tem vínculo com elas. Aí vem os clubes da Europa que são prossionais e levam mesmo”, analisou a treinadora do Santos, Emily Lima.


Diario do Nordeste